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Resenha: A Revolução dos Bichos

Tudo começa com o vislumbre da consciência que o velho porco Major teve um pouco antes de morrer. Após um sonho que tivera, reunira os animais da fazenda para lhes falar.

Ao indagar os animais com fervor, o velho porco os questionava se aquela vida sofrida era mesmo a ideal para todos, se não haveria outro jeito de viver sem penar com tanto trabalho e pouca comida.

E ao avançar em seu raciocínio, chegara a conclusão de que a raiz de seus problemas, ou melhor, de todos os animais da fazenda, era o homem. E a princípio, esse homem, na verdade, era o senhor Jones, dono da Granja do Solar, onde todos os animais moravam.

Contudo, o velho Major, em sua noite de despedida, por assim dizer, incitou os animais não somente contra o dono da fazenda, mas contra todos os humanos, pois quem andava sobre duas pernas não era bom.

E assim plantara naquela reunião peculiar a semente de uma revolução.

Poderiam aqueles porcos, galinhas, cães, ovelhas berrantes, cavalo, égua e burro serem capazes de tomar o controle da fazenda?

Pois bem… é aí que o bicho pega.

 

Dados do livro – ficha técnica

Título Original: Animal Farm

Autor: George Orwell nasceu Eric Arthur Blair em 25 de junho de 1903, em Bengala, Índia, onde seu pai trabalhava para o Departamento de Ópio do Serviço Público Indiano da Grã-Bretanha. Morreu de tuberculose no dia 21 de janeiro de 1950, um ano depois de concluir 1984. Tinha 46 anos. Fonte: Amazon

Ano: 1945

Idioma: Português

Disponível: link aqui
livro a revolução dos bichos

 

A Revolução dos Bichos: a consciência da realidade

Confesso que assuntos políticos e a própria política em si nunca me cativaram. Não sou e nem nunca fui de idolatrar líderes ou de sobrepor minhas expectativas e idealizações em outrem.

E é por isso que achei fascinante a leitura que apresento hoje.

Aqui me encontro, depois de terminar a última página, perguntando-me se o livro acabou de fato, se não é pegadinha, se não veio com páginas faltando?!… Mas não. O fim é justamente este.

Certamente as obras inglesas são minhas preferidas por muitos motivos, contudo, o modo com que os clássicos ingleses flertam com a sátira é singular.

Veja, por exemplo, O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, e Good Omens de Neil Gaiman. O humor britânico às vezes é tão sutil e outras vezes tão ácido e despretensiosamente arrogante.

E aqui, George Orwell ou Eric Arthur Blair, traz um enredo que faz alusão ao totalitarismo e suas consequências. Escrito antes do fim da Segunda Guerra, A Revolução dos Bichos é capaz de se fazer atual nos dias de hoje e permanece tão repleta de significado como quando na época em que fora escrita.

O Início da Revolução

Cedo ou tarde virá o dia,

Cairá a tirania

E os campos todos da Inglaterra

Só aos bichos caberão!

 

Após a morte do velho Major, os porcos, animais mais letrados e entendidos das coisas, deram início ao princípio dos planos. De começo lento, faziam reuniões no celeiro na calada da noite e especulavam sobre os próximos passos.

Mas nem todos queriam se rebelar contra o senhor Jones, pois ele havia cuidado de todos na fazenda. Todos os animais eram de fato alimentados. Seria certo continuar com os planos?

Mas e o tipo de vida que recebiam em troca de um punhado de comida que não dava para tapar o buraco da fome na barriga?

Valeria a pena trabalhar tanto para o senhor Jones enquanto ele ficava com todo o lucro? O que era de direito dos animais? O destino de uma sofrida de trabalhos forçados?

Não. Era a hora de tomarem uma atitude e reivindicarem o que lhes era seu por direito: a fazenda.

Após o senhor Jones se esquecer de alimentar os animais num certo dia, os animais se enfureceram a tal ponto, que até os que não estavam totalmente a favor da tal revolução fizeram questão de partir para cima do velho fazendeiro. E assim foi.

Expulsaram o senhor Jones da fazenda e trocaram seu nome. Agora não seria mais chamada de Granja do Solar e sim, Granja dos Bichos.

Com isso, os animais haviam tomado o poder da fazendo sob o comando dos porcos. Estes elaboraram um mandamento que todos os animais tinham de seguir:

 

OS SETE MANDAMENTOS

  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.

  2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.

  1. Nenhum animal usará roupas.

  2. Nenhum animal dormirá em cama.

  3. Nenhum animal beberá álcool.

  4. Nenhum animal matará outro animal.

  5. Todos os animais são iguais.

 

O principal objetivo do mandamento era relembrar aos animais quem era o verdadeiro inimigo e quais atitudes eles deveriam evitar a fim de não ceder à tentação de tentar ser ou se parecer com os humanos.

Mas é claro… No papel tudo tende a ser muito bonito mesmo.

Leia também

A Revolução dos Bichos: consequências e conflito final

Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros.

 

Por fim, nem é preciso dizer que deu muito ruim a tal da revolução, né?

Liderados pelos porquinhos, os animais da fazenda passaram a trabalhar muito mais do que antes e por vezes sua condição de vida era pior do que quando viviam sob o comando do senhor Jones.

Mas, de certa forma os animais estavam contentes pois acreditavam na ilusão que os porquinhos lhes vendia… que a fazenda pertencia a todos e que no fim da vida teriam um espacinho seu para o descanso na aposentadoria.

Só que os porquinhos foram seduzidos pelo poder. Começaram a cobiçar o estilo de vida e os costumes dos humanos.

George Orwell, embora acreditasse no socialismo, queria trazer à tona o que não pode dar certo quando esses valores são deturpados. Trazendo suas obras a fim de confrontar governos totalitaristas, como o de Stalin, por exemplo, ele almejava abrir os olhos dos que estavam cegos demais para ver.

Mesmo que no início um governante afirme que seu governo priorizará a sociedade como um todo, é muito certo que o poder, as influências ou seja lá o que for, mude suas intenções, e de repente vê-se uma minoria usufruir de privilégios e bem-estar enquanto a maioria do povo sofre para bancá-los.

No fim, os animais da fazenda da história de Orwell, não conseguiam mais diferenciar os humanos dos porcos, pois todos pareciam iguais.

Os porcos passaram a andar de pé, beber e comercializar, imitando os humanos. E os humanos passaram a tratar os porcos como parceiros de negócios.

A última página retrata bem isso quando os animais ao escutar uma algazarra vindo da casa que antes fora do senhor Jones, vão até lá para ver o que estava acontecendo. Ao olhar pela janela, viram homens e porcos sentados em volta da mesa, bebendo e jogando cartas bastante fervorosos.

Sem dúvida, A Revolução dos Bichos é uma leitura essencial para todos em qualquer época. Nos faz pensar, questionar e temer um pouco o poder que os governantes tem. E como de uma hora para a outra a gente pode se ver em um cenário completamente diferente da nossa realidade: presos, acuados, sem poder questionar, sem direitos…

Dá medo…

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NayaraBonim

Analista e criadora de conteúdo. Formada em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Pós-graduanda em Engenharia de Software.

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